Kanhanga participa de Seminário Internacional na PUC-Rio de Janeiro sobre os 75 anos do regime internacional dos refugiados
Entre os dias 14 e 19 de setembro, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) recebeu o Seminário Internacional “Repensando os 75 anos do Regime Internacional dos Refugiados”, um importante espaço de diálogo e reflexão sobre os caminhos da proteção internacional de pessoas refugiadas a partir dos 75 anos da Convenção de Genebra de 1951.
O encontro reuniu pesquisadores, professores, representantes do poder público, organismos internacionais e, principalmente, lideranças refugiadas de diferentes partes do mundo. Participaram representantes e lideranças provenientes de países como Colômbia, México, Nicarágua, Venezuela e Haiti, além de representantes do Ministério da Educação, Ministério da Justiça, Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
O seminário foi organizado pelo LERRN – Local Engagement Refugee Research Network, instituto com atuação internacional e base no Canadá, formado por pesquisadores, doutores, professores universitários e pessoas com experiência direta de deslocamento e refúgio. A proposta do encontro foi promover uma reflexão crítica sobre os avanços, limites e desafios do atual regime internacional de proteção aos refugiados, buscando construir propostas mais conectadas às realidades vivenciadas pelas pessoas em situação de deslocamento.
Representando a Casa dos Imigrantes e Refugiados do Rio Grande do Sul, Kanhanga participou da quarta mesa do seminário, contribuindo para ampliar o olhar sobre os fluxos migratórios que partem do continente africano em direção à América Latina, especialmente para o Brasil.
Em sua fala, Kanhanga destacou a necessidade de que os debates internacionais sobre refúgio considerem com maior atenção as experiências de refugiados africanos que chegam ao continente latino-americano. Para ele, é fundamental compreender as especificidades dessas trajetórias, os desafios encontrados durante o processo de integração e as barreiras que ainda dificultam o acesso a direitos, serviços públicos, trabalho, educação e oportunidades.
A reflexão também dialogou com uma das provocações apresentadas pelo professor Beto Yamato, integrante do LERRN, professor universitário e um dos organizadores do seminário. Ao discutir os primeiros momentos de uma pessoa refugiada em um país desconhecido, Yamato levantou uma questão aparentemente simples, mas profundamente significativa: qual idioma essa pessoa utilizará para se comunicar quando chega a um lugar onde não conhece absolutamente nada?
A pergunta evidencia uma das muitas barreiras enfrentadas por pessoas refugiadas e migrantes. Comunicação, idioma, acesso à informação e compreensão dos serviços disponíveis são elementos fundamentais para que uma pessoa recém-chegada consiga reconstruir sua vida com autonomia e dignidade.
Outro momento de destaque foi a condução dos trabalhos por James Milner, fundador do LERRN. De maneira acessível e participativa, Milner conduziu as discussões em grupos, estimulando os participantes a saírem da reflexão teórica e avançarem na construção de propostas práticas.
Durante os grupos de trabalho, foram levantadas possibilidades e soluções que precisam ser desenvolvidas em diferentes níveis: local, estadual, nacional e global. A intenção é que essas contribuições possam ser sistematizadas e posteriormente apresentadas no encontro mundial que será realizado em Genebra, na Suíça, ampliando a participação de diferentes atores na construção dos próximos caminhos da proteção internacional de refugiados.
Para Kanhanga, participar de um espaço dessa dimensão representa também uma oportunidade de levar para o debate internacional as experiências construídas no cotidiano da Casa dos Imigrantes e Refugiados do Rio Grande do Sul.
A participação reforça a importância de conectar as experiências locais com os grandes debates internacionais sobre migração e refúgio. As realidades vivenciadas por pessoas migrantes e refugiadas nas cidades brasileiras precisam estar presentes na formulação de políticas, estratégias e mecanismos de proteção que respondam aos desafios contemporâneos da mobilidade humana.
Ao longo de seis dias de atividades, o seminário proporcionou um ambiente de aprendizado, troca de experiências, produção de conhecimento e construção coletiva. Mais do que revisitar os 75 anos da Convenção de 1951, o encontro provocou os participantes a pensar sobre o futuro da proteção internacional e sobre quais mudanças são necessárias para que os sistemas de acolhimento sejam cada vez mais humanos, acessíveis e conectados às realidades daqueles que chegam a novos territórios em busca de proteção.
Para a Casa dos Imigrantes e Refugiados do Rio Grande do Sul, a participação de Kanhanga no seminário representa mais um passo no fortalecimento da atuação em rede e na construção de pontes entre as experiências locais, nacionais e internacionais.
Em um mundo marcado por deslocamentos cada vez mais complexos, o desafio colocado pelo encontro permanece atual: transformar conhecimento, diálogo e experiências em soluções concretas capazes de garantir que nenhuma pessoa refugiada seja deixada para trás.